Meditação sobre a obediência e a liberdade

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Neste texto, Simone Weil medita sobre as forças que, na organização social, mantêm a submissão da maioria à minoria, sobre a intermitência da revolução e sobre a liberdade.

“Em certos momentos da história, um grande alento passa pelas massas; suas aspirações, palavras, movimentos, se confundem. Nada, então, resiste a elas. Os poderosos, enfim, entendem, por sua vez, como é se sentir só e desarmado, e eles estremecem. Tácito, em algumas páginas imortais que descrevem uma sedição militar, soube analisar perfeitamente isso. “O principal sinal de um movimento profundo, impossível de apaziguar, é que eles não estavam dispersos ou eram manobrados por alguns, mas juntos pegavam fogo, juntos se calavam, com tamanha unanimidade e firmeza, que se acreditaria que agiam mediante ordens”. Assistimos a um milagre desse gênero em junho de 1936,e a impressão deixada ainda não se apagou.
Momentos como esses não duram, ainda que os infelizes desejem ardentemente vê-los durar para sempre. Eles não podem durar, porque essa unanimidade, que se produz no calor de uma emoção viva e geral, não é compatível com nenhuma ação metódica.”