O poeta e o tempo

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Neste texto publicado pela primeira vez em 1932, Marina Tsvietaieva discute a questão que, talvez, seja para a modernidade literária a questão das questões: o que é o contemporâneo? O que faz de um poeta contemporâneo? Atravessando desdobramentos políticos da revolução russa e discutindo critérios de valoração literária, sem que com isto os enigmas do poético se dissolvam por completo, “O poeta e o tempo” levanta e elabora discussões sempre urgentes para quem faz e para quem lê poesia.

“A contemporaneidade de um poeta não está em proclamar o seu tempo como o melhor de todos, nem mesmo em aceitá-lo simplesmente – também não é uma resposta –, nem em responder ou reagir desta ou daquela maneira aos acontecimentos (o próprio poeta é um acontecimento do seu tempo e qualquer resposta sua a esse auto-acontecimento, qualquer auto-resposta, será imediatamente uma resposta a tudo); – de tal maneira a contemporaneidade de um poeta não está no conteúdo («Que quiseste dizer com este poema?» «Precisamente o que fiz com ele») que a mim, que escrevo agora estas linhas, me coube ouvir após a leitura d’O Valente: «É sobre a Revolução?» (Dizer que simplesmente o ouvinte não compreendeu equivaleria a não termos compreendido também nós, já que: não é sobre a revolução, é a revolução, o seu ritmo).”