n.184 | A escrita como transformação

Louise Glück

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Descrição

Este é um ensaio sobre a escrita, e Louise Glück nos conta que sempre quis escrever. Para ela, escrever é inventar um pensamento, que se transforma enquanto se desenvolve e chega a lugares inesperados de antemão; é uma experiência com a linguagem, que cria algo a partir de palavras e estruturas sintáticas; é um arrebatamento, uma experiência eufórica e luminosa. A escrita para ela é onde estabilidade e imutabilidade são possíveis e onde uma relação muito particular consigo mesma e com os outros, conhecido e imaginados, acontece.

“As coisas que eu escrevia com tanta urgência não eram pensamentos fixos projetados do meu cérebro para a página. O que eu considerava um pensamento era um tipo de busca, uma missão. Mas era muito difícil. Não era a escrita como retórica ou catarse. Era a escrita como transformação (ou era isso que eu queria que fosse). Eu queria transformar a experiência, muitas vezes a decepção ou a mágoa, em uma forma exteriorizada que, em sua precisão e beleza, me separaria da experiência e a redimiria. A necessidade de escrever dessa forma era constante, mas a capacidade de escrever ia e vinha; muitas vezes, em minha vida, ela desaparecia por anos. Não havia nada que eu pudesse fazer.”

Edição e preparação de texto
Maria Carolina Fenati

Tradução
Cecília Rocha

Revisão da tradução
Fernanda Regaldo

Revisão
Andrea Stahel

Projeto gráfico
Luísa Rabello

Coordenação da coleção
Luísa Rabello, Maria Carolina Fenati

Belo Horizonte, setembro de 2025