Descrição
Este livro compõe a exposição de aquarelas A eterna novidade do mundo, realizada por Filipe Lampejo em novembro de 2025 no Estúdio Pessoas Físicas, em Belo Horizonte. Os fragmentos foram retirados de cadernos de notas escritos entre 2020 e 2025, tendo sido escritos a partir – e ao redor – das experiências com os cogumelos e as pinturas em aquarelas. As fotografias também fazem parte do acervo desses anos. Neste livro, as imagens e os textos são modos de intimidade com as formas, tentativas de escutar nelas a respiração do desconhecido. Pelas suas variações, quem as vê imagina variar também. Pintar aquarelas e escrever são rastros de um estado alterado de presença, e têm a novidade como promessa. Talvez a seja uma partilha sobre o instante em que, no limite da observação, brota o inesperado.
“9 de junho
É de manhã e procuro uma mexerica. Ingerimos cogumelos, e posso ver de olhos fechados a paisagem verde em que estamos. Escrevo: estou só e o dia está lindo. Abro os olhos, a sensação do presente é imensa e queria retê-la – a sensação – para não esquecer. “O presente inescapável” – escrevo, e isso parece uma placa de trânsito e não uma sensação. Encontrei a mexerica – descascá-la é erótico, mesmo quando está azeda. Talvez fosse um limão.”




