Descrição
Este é um ensaio sobre a morte de uma mãe e sobre a sua filha. A filha escreve sobre a mãe – o jeito, as roupas, o cheiro –, rememora o convívio íntimo com ela e o seu adoecimento. É um relato sobre a dor e a perda, sobre o dia a dia até a morte, sobre o vazio depois dela. Enquanto escreve, a filha destina-se à mãe e a quem lê, aprendendo com os verbos a conjugar o passado e o presente, e afirmando a palavra como um modo de relação com o impossível.
“Quero escrever sobre a minha mãe. Sobre a morte da minha mãe. E fico com vergonha. Sinto que fazê-lo é, de certa forma, obsceno. Como se morrer – ou escrever sobre a morte – fosse de mau gosto. Talvez ela não iria gostar que eu escrevesse sobre isto. “Isto”: a morte dela. Odiaria saber que escrevo sobre ela durante esse trânsito, em vez de lembrá-la em todo o seu esplendor. Mas eu lembro da sua morte. Todos os anos em que esteve morrendo. Essa agonia inesgotável.”




