n.187 | Mais-que-binário

Fábio Danillo Alves de Oliveira

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Descrição

Neste ensaio, a voz narrativa, movida pelas forças da crítica e da ficção, afirma a simultaneidade entre mundos, e a passagem entre eles. Parte-se da elaboração de que, em ambos – Gaia e Urano – as formas da destruição ameaçam as relações entre seres viventes e não-viventes. A catástrofe da exclusão é acelerada, maquínica e histórica. Ainda assim, inspiradas pelo modo de vida dos fungos, desenham-se brechas de sobrevivência para as existências que se misturam. E isso talvez possibilite que no horizonte – para além do colapso – haja o nascimento de outras formas de vida.

“O mundo está acabando. Mas está tudo bem, isso nós já sabíamos desde o nascimento. Para pessoas como eu, que nasceram próximo à virada do milênio, o fim do mundo já estava anunciado. O que mudou foi que, antes, nós precisávamos realizar pequenas ações, não jogar o lixo na rua, fechar a torneira quando escovávamos os dentes, tomar banhos mais rápidos; agora alguns percebem que essas pequenas ações não darão conta de amenizar a resposta de Gaia. Evocando as palavras de Elizabeth Povinelli, a catástrofe já aconteceu e estamos lidando com suas repercussões. As feridas da exploração colonial e da escravidão ainda estão abertas em Gaia e o sangue escorre para todos que quiserem ver.”

Edição
Paulo Maia e Maria Carolina Fenati

Preparação de texto
Luís Matheus Brito e Maria Carolina Fenati

Revisão
Andrea Stahel

Projeto gráfico
Luísa Rabello

Coordenação da coleção
Luísa Rabello e Maria Carolina Fenati

Belo Horizonte, dezembro de 2025