Descrição
Este é um conto, ou um ensaio, ou um poema em prosa sobre o movimento: o movimento de uma pessoa dentro da água, o movimento dos refugiados, o movimento de um indivíduo que entra e sai de cena como as marés. E é também sobre estar imerso no mundo e numa história, sobre o desencaixe entre o singular e o plural, o eu e o outro, o ordinário e o terrível.
“Há uma pressão mental para nadar bem e usar a água corretamente. As pessoas pensam que nadar é algo descontraído. Só um mergulho! Na verdade, envolve muita ansiedade. Cada água tem suas próprias regras e propostas. O mau uso é difícil de explicar. Talvez envolva aquele esforço comum para conhecer a beleza, conhecer exatamente a beleza, se colocar bem em seu caminho, estar no lugar perfeito para ouvir o rouxinol cantar, ver o noivo beijar a noiva, cronometrar o cometa. Cada água tem um lugar certo para estar, mas esse lugar está em movimento, você precisa continuar encontrando-o, continuar fazendo com que ele te encontre. Seu próprio movimento te afunda dentro e fora dela a cada braçada. Você pode fracassar a cada braçada. O que isso significa, fracassar?”




