n.181 | 2025 O ouvido (fragmento)

Diego Alfaro Palma

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Descrição

“No Chile o som se circunscreve.” – assim termina este ensaio sobre a cartografia do som, que é também um ensaio sobre modos de habitar distantes da imagem e que tocam os ouvidos, e também um ensaio sobre a escuta como forma de grafar. A partir de outros poetas e ensaístas, Diego Alfaro Palma escreve sobre a nossa relação com o som e o que nela tem de inescapável – e portanto material –, sem que isso reduza as forças do imaginário e do desconhecido que a acompanham.

“Sem dúvida, Raúl Marín é um lugar para se escapar da civilização; aí, uma pessoa pode ficar frente a frente com seus demônios. E aí, também, se alguém começa a avançar sobre a areia até a zona oeste, começa a ver esplanadas de morangos silvestres em meio às dunas; diferentes tipos de pássaros e abelhas pululam no festim. Chegando à foz do rio Palena, encontra-se uma enorme praia, completamente deserta, onde se abre um cemitério de Fitzroyas, e distintos tipos de madeiras produzem uma música particular quando se chocam contra as ondas. Às vezes, caso se tenha sorte, é possível chegar a avistar um grupo de toninhas saltando pela margem, a um punhado de metros de onde a água chega até os pés. Esta sucessão ininterrupta de saltos dentro do mar, juntamente às claves das madeiras e ao esvoaçar das abelhas, geram um fragmento que dificilmente pode ser encontrado em uma planície ordinária, em que a percepção não condensa, mas sim se expande, dispersando os sons.”

Edição
Maria Carolina Fenati

Tradução
Thiago Panini Primolan

Revisão da tradução
Gabriel Bueno da Costa

Preparação de texto
Maria Carolina Fenati

Revisão
Andrea Stahel

Projeto gráfico
Luísa Rabello

Coordenação da coleção
Luísa Rabello, Maria Carolina Fenati

Belo Horizonte, junho de 2025