Atlas

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Neste segundo volume da revista reúnem-se poemas, textos em prosa, cantos, ensaios e outras formas escritas de precisão e deriva, recolhidas a partir da proposta de tomar a “cartografia” como questão. Os próprios textos formam um conjunto de mapas e também de seres vivos, entre animais e vegetais; são gravuras de afetos humanos. As imagens deste Atlas são visões que a leitura cria.

 

Na apresentação, escrita por Júlia de Carvalho Hansen e Maria Carolina Fenati, lemos:

“Este Atlas forma-se de repente num arquipélago longínquo e, como se de uma pangéia se tratasse, torna próximos territórios distantes, vagueia passo a passo, caminha no caos, desenha precisas geometrias e, quando termina, ainda restam muitas regiões a conhecer. Lê-lo é deambular através das suas florestas, clareiras, desertos, matas fechadas, montanhas e ruas. É também errar pelo mundo íntimo e estrangeiro do amor, dos deuses, da morte.

Neste Atlas quase não há imagens desenhadas, fotografadas ou gravadas, mas imagens verbais sim (são tantas!): palavras. As imagens deste Atlas são visões que a leitura cria. As línguas são o território mais amplo destas páginas e elas surgem singularizadas no atrito entre alguém que escreve e um outro – outro povo, outro rosto, outro coração. Por isso escrever é expor-se ao perigo do sensível, talvez a uma dicção da sensação. Há textos em que o outro é visto, observado; noutros é tocado, acariciado; o outro pode ser um vislumbre; em alguns dos textos a voz é o instrumento que encanta. Busca-se por vezes a precisão (nenhuma palavra é substituível), noutras é preciso saltar, arriscar. Em todo caso, escrever é responder com coragem. Neste Atlas a imaginação é um órgão que expande todos os outros – é ela que traça vizinhanças improváveis, semelhanças invisíveis, é a imaginação que confia no não-saber, sustentando céu e mar entre suas colunas sensíveis.” (pág. 11)

 

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