Caderno n.75 – A moral de Miller

Georges Bataille

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Publicado em 1946, “A moral de Miller” é o primeiro artigo do primeiro número da revista Critique, inaugurando assim um conjunto de resenhas literárias cujo escopo quase sempre extrapolava a própria obra resenhada. A partir da defesa do projeto literário de Miller, que já estava proibido nos Estados Unidos, Bataille reúne nesse belo artigo literário considerações sobre infância, literatura e moralidade:

“Uma criança vagabunda não é imoral; ao contrário. Ela vive a autêntica prova da moral no bando ao qual pertence: a generosidade, a devoção, a lealdade, o sentimento de igualdade e de justiça não têm menos importância para um bando de ‘malandros’ do que para a organização ocidental do trabalho. (As duas concepções da moral e do direito que se contrapõem extrapolam além disso a atual oposição entre maiores e menores: as ideias cristãs e burguesas de mérito, de trabalho e de hierarquia, fundadas sobre o resultado dos serviços prestados, são estranhas às sociedades mais antigas.) Mas não há nada nas virtudes espontâneas da infância que contrarie o ‘sentimento intenso do imediato’. Por mais generosas e leais que sejam as crianças, esse ‘sentimento intenso’ não pode ser sufocado no mundo em que elas brincam. Esse é o sentimento que, com precisão, define a fórmula de Miller: ‘há morte no ar e é a sorte que reina’ (Capricórnio, p. 311).”

Informação adicional

Ano

2018

Tradução
Cibele Noronha de Carvalho