Caderno n.70 – O silêncio das sereias

Franz Kafka

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Descrição

Neste texto, Kafka relê o encontro de Ulisses com as sereias e opera uma inversão: se o navegante protege-se da sedução por um frágil estratagema, as sereias oferecem o seu silêncio.

“Para preservar-se das sereias, Ulisses tapou os ouvidos com cera e deixou-se amarrar ao mastro. Naturalmente, há muito tempo qualquer viajante poderia ter feito algo semelhante (salvo aqueles que as sereias seduziam de longe), mas em todo o mundo se reconhecia que isso não seria de ajuda. O canto das sereias a tudo traspassava, até a cera e a paixão dos seduzidos teriam feito saltar mais do que mastros e cadeias. Contudo, embora talvez tenha ouvido falar a respeito, nisso não pensou Ulisses, que, com plena confiança no bocado de cera e nos laços das cadeias, na alegria inocente de seu estratagema, navegou ao encontro das sereias.”

 

Tradução
Luiz Costa Lima

Projeto gráfico
Rafael Camisassa

Este Caderno de Leituras foi realizado com recursos
da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
Fundação Municipal de Cultura. Patrocínio UNA.

Informação adicional

Ano

2017