Justiça poética – A literatura além do ponto final

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Neste texto, Eduardo Pellejero pensa a relação (de excesso, de não-coincidência) entre a justiça poética e a justiça histórica, ou, no limite, entre a justiça e o direito, e o modo como as forças da arte operam e revelam a sua frágil e infinita potência.

“Nem a atualidade do jornalismo nem a historicidade do direito admitem esse tipo de abertura, as suas formas de fazer justiça limitam-se aos fatos, isto é, às formas estabelecidas ou consagradas de dar sentido aos fatos, numa sociedade qualquer, num momento histórico dado. Pelo contrário, as imagens da arte (pictóricas ou literárias, cinematográficas ou inclusive musicais) são uma espécie de fato puro, eventum tantum: o seu sentido depende infinitamente dos encontros que propiciam, dos olhares com os que se confrontam, dos acontecimentos com os que entram em ressonância. Nesse espaço fantasmático, a arte faz justiça, apresenta eternamente um recurso, reavivando a memória da injustiça ou fazendo soar os alarmes da sua repetição (e também alimentando os sonhos de um mundo mais justo). Concedamos, se necessário, que é um teatro de sombras, mas compreendamos também que nesse teatro de sombras está em jogo a possibilidade de toda a revisão do sentenciado, de toda a reconfiguração do político, de todo o progresso histórico.”