Entrevista com Leonardo Fróes

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Nesta entrevista, concedida à Júlia de Carvalho Hansen, Leonardo Fróes passeia pela memória da sua cidade natal, dos bancos escolares, de alguns laços familiares, fala sobre os ofícios de ser poeta e tradutor e conversa sobre o gesto da escrita, da simples vida, do amor e do humor.

“[…] sempre que escrevi um poema, fui possuído na hora ou pouco antes por uma espécie de arrebatamento incomum. Será isso o “sopro das inspirações”, algo que, nas proposições de certas vanguardas, já mereceu tanto descrédito? Pergunto-me, porque não tenho a menor certeza: inclino-me a achar que a escrita de poesia talvez seja mais um desses pequenos mistérios que dia a dia nos rodeiam sem que cheguemos a percebê-los de todo e cuja profundidade nos escapa. Por que será, pergunto ainda, que um poema escrito por mim, no âmbito de uma experiência vivida na solidão, é validado por alguém muito distante e diferente que o lê, como se outra pessoa, transpondo a brecha que nos separa, pudesse sentir o mesmo que eu havia sentido e de que fiz um registro? Como essa estranha identificação entre leitores e poemas tem sido um fato tão normal na vida humana, vai ver que a poesia fala, em última análise, como se ela fosse a própria voz da espécie.”