A noite do Índio

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No ano de 1854, chega ao noroeste dos Estados Unidos, mais precisamente à região que hoje faz fronteira com o Canadá, uma delegação enviada pelo governo americano e chefiada por Isaac I. Stevens, que fora nomeado Governador do Território de Washington e Comissário para os Assuntos dos Índios. Uma das missões dessa delegação é a de propor às tribos da região a compra das suas terras em troca de proteção numa Reserva. No outono desse mesmo ano, o índio Seattle – tradução inglesa da palavra nativa Sealth – (1787 – 1866), Chefe da tribo Suquamish, que habitava a região junto ao braço de mar denominado Puget Sound, vai improvisar um discurso de resposta. Nesta reunião estava presente o Dr. Henry A. Smith, que era conhecedor do dialecto do orador e que tomou notas do discurso. O Tratado sobre a compra das terras – em que o governo americano se comprometia a pagar 150.000 dólares por 8.000 km2 – é assinado em Point Elliot no ano seguinte. Nunca foi cumprido pela parte colonizadora.

 

“Os vossos mortos deixam de vos amar e também à terra que os viu nascer logo que transpõem o limiar das suas sepulturas. Eles vagueiam muito para além das estrelas, são esquecidos rapidamente e nunca mais voltam. Os nossos mortos nunca esquecem este belo mundo que um dia lhes deu vida. Eles continuam a amar ou sinuosos rios, as altas montanhas, os vales escondidos, e constantemente espalham a sua dedicada afeição sobre cada ser vivo, e muitas vezes regressam para visitarem e confortarem os vivos.”